PROJETO DE LEI Nº 167/2015

PROJETO DE LEI Nº 167/2015

Dispõe sobre denominação de “PROFESSORA HELLY GRILLO MUSSI” a uma praça pública de nossa cidade e dá outras providências.

A Câmara Municipal de Sorocaba decreta:

Art. 1º Fica denominada “PROFESSORA HELLY GRILLO MUSSI ” à uma praça pública circunscrita pelas vias: Av. Isaltino Guanabara Rodrigues Costa x Rua Adão P. Camargo x Rua Luigi Brunetti x Rua Saturno.

Art. 2º As placas indicativas conterão, além do nome, a expressão: “Cidadã Emérita – 1928/2013”.

Art. 3º As despesas com a execução da presente Lei correrão por conta das verbas próprias consignadas no orçamento.

Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Sala das Sessões, em 11 de agosto de 2.015

José Crespo
Vereador

JUSTIFICATIVA

Helly Grillo Mussi, filha de professor de ciências aprendeu que estudos e disciplina seriam fundamentais para a sobrevivência. Estes princípios nunca foram abandonados mesmo quando da preda precoce da mãe, fato este que deu início à um período bastante difícil para ela e o restante da pequena família – pai e irmão.

Tanto na infância quanto sua adolescência foram recheadas de memórias divertidas como os carnavais, as festas na casa da parte italiana da família e sua performance como baliza nas apresentações da fanfarra da escola – o Estadão.

Tornou-se professora na década de 50. Durante um curto período lecionou em Itapetininga e Ribeirão Pires – região metropolitana de São Paulo, localidades distantes de Sorocaba, dadas as condições de mobilidade e acesso da época, mas como muitos professores em início de carreira enfrentou as dificuldades ampliadas pelo fato de já haver iniciado sua pródiga maternidade.

No entanto, para exercer seus princípios básicos, estudos e disciplinas, e também agora, esposa e mãe, resolve dar continuidade aos estudos cursando Pedagogia na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, sim aquela que se tornou palco do movimento estudantil da década de 60, na Rua Maria Antonia. Lá conviveu com a nata da intelectualidade brasileira, incluindo o futuro presidente Fernando Henrique Cardoso dentre outros.

Nesta época, já como primogênita em casa, recebeu o apoio do marido, Dr. José Mussi, para tal empreitada, pois havia necessidade de viagens de trem parara São Paulo várias vezes na semana.

Formada em 1957, todo este empenho foi recompensado em 1960 quando passou no concurso para dirigir a escola onde seu pai havia lecionado e onde ela mesma havia passado grande parte da sua vida.

Começa ai sua trajetória na diretoria do Estadão.

Temida ou admirada, mas sempre reconhecida por sua dedicação no aprimoramento dos alunos, tanto nas áreas do conhecimento quanto dos valores pessoais. Muitos sorocabanos têm em sua memória vários acontecimentos relacionados à sua passagem pelo Estadão e sua diretora, sejam de incentivos culturais, quanto às temidas e constrangedoras ida à diretoria. Há que ressaltar que nem mesmo os filhos eram poupados, pelo contrário, deveriam ser exemplos.

Milhares de jovens foram educados sob a égide de D. Helly que exigia disciplina, respeito e empenho dentro da escola. Era presença integral desde o primeiro até o último sinal e passava a impressão de ser onipresente nos corredores e onisciente dos problemas. Incentivava as atividades culturais e esportivas as quais, juntamente com o bom desempenho escolar dos alunos, projetaram o Estadão como referência regional, e porque não, estadual.

Muitos profissionais, bem formados e bem sucedidos, guardam boas recordações dos bancos escolares e são gratos ao ensino recebido e também às broncas levadas, sejam pelas saias enroladas para parecerem mais curtas, ou pelas brincadeiras mais pesadas com os colegas.

O que poucos sabem é que a par de suas funções no Estadão, D. Helly tinha seu lado festivo que por vezes era freado para contrapor-se à expansividade de seu marido sempre efusivo e superlativo em todas as suas atividades, em especial na educação de sues filhos.

Com a casa sempre cheia de amigos e familiares, contava com a fiel escudeira Mia e uma estrutura tal que permitiu desempenhar suas funções de mãe e profissional concomitantemente.  Gostava de festas, bailes, gente bonita e refinada, especialmente aquelas que podiam adicionar lhe conhecimento e erudição.

O seu jeito contido e solene dava lugar a gostosas gargalhadas em uma conversa inteligente e bem humorada. Aliás, era dona de um senso de humor perspicaz e singular, que dizem ser hereditários.

Adorava conhecer novos lugares e viajou algumas vezes. Conheceu outros países, outros continentes, mas o conforto da sua casa e o aconchego da família, marido, filhos e depois netos, falaram mais alto após sua aposentadoria.

A partir de 1981, por ser, conservadora em seus hábitos e avessa a grandes movimentações, com a aposentadoria, pode se dedicar a duas das atividades que mais lhe davam prazer, a leitura dos jornais, em especial os cadernos de política e assistir seus programas prediletos na TV.

No entanto com uma família tão grande, seis filhos e seus respectivos esposos e esposas, treze netos e oito bisnetos, seu sossego era sempre quebrado para exercer seu papel de conselheira, ou de ouvinte, tanto dos sucessos quanto dos insucessos, ou de observadora da vida. Enfim, de tudo era falado com muita serenidade, muito bom humor e muita sabedoria. As conversas vespertinas, de preferência, eram tranquilas e prazerosas, somente não podiam invadir o horário da novela preferida.

E desta forma, D. Helly, tranquila, plena, solidária, delicada e afetuosa, poderia ficar mais uns cinquenta anos este baluarte familiar que tanto nos alegava.

D. Helly faleceu no dia 11 de setembro de 2013 aos 85 anos de idade.

Sala das Sessões, em 11 de agosto de 2.015

José Crespo
Vereador