Reajuste de tarifas de ônibus: mais uma tucanagem contra os usuários

Ao tomar conhecimento nesta sexta-feira (01), da decisão do prefeito Pannunzio de aumentar os valores das tarifas de ônibus pela primeira vez em seu governo, Crespo ficou desapontado, pois esperava mais e melhor. O problema não é exatamente a necessidade ou o valor dos aumentos, considerando a inflação e os crescentes salários dos motoristas, mas sim a relação entre o passe social e o vale-transporte.

Os tucanos estão destruindo o passe social, e Crespo tinha a esperança (que acabou) de que Pannunzio revertesse isso. Infelizmente, a ideologia partidária falou mais alto do que o interesse público. Vinte anos atrás, quando o prefeito era o mesmo (Pannunzio), mas em outro partido, foi criado o “passe social”, em paralelo ao vale-transporte, com o compromisso de que o primeiro custasse no máximo 70% (setenta por cento) do segundo, para proteger as pessoas físicas, usuárias do sistema. Assim foi naquela época e nos anos seguintes, até que o PSDB assumiu o poder em Sorocaba.

Os tucanos começaram a aumentar o valor relativo do passe social diante do vale-transporte, diminuindo com isso as vantagens do primeiro e encarecendo o custo dos ônibus no bolso dos cidadãos. Ao final do governo anterior, o passe social estava custando nada menos do que 94% do vale-transporte. Em várias oportunidades nos últimos meses, Crespo pediu a Pannunzio que fizesse o passe social retornar ao limite de 70% do valor do vale-transporte.

Infelizmente, em vez de atender isso, beneficiando a população, inexplicavelmente Pannunzio acaba de piorar aquilo que já estava ruim: o passe social passará a custar 96% (noventa e seis por cento) do valor do vale-transporte, praticamente a mesma coisa.

O passe social, a partir de agora, passa a ser uma ilusão, mais uma forma de enganar o povo. Alguém poderia argumentar: se o vale-transporte custasse mais, então os empresários comprariam somente o passe social, para economizar. Isso não é verdade, pois a Urbes não vende passe social para pessoas jurídicas (e a lei federal obriga as empresas a comprarem vale-transporte para seus empregados).