Venalidade humana

Atônitos, os brasileiros acompanham, diariamente, o desenrolar das investigações relacionadas ao maior escândalo de corrupção que o país já assistiu: o Petrolão. Graças à Operação Lava Jato, servidores da Petrobrás – uma das empresas estatais mais rentáveis do mundo (e que vem deixando de ser por conta da roubalheira) – usurparam os cofres públicos e desviaram bilhões de dólares.

Creio que está correto: a corrupção nacional não começa, mas termina (amplificada) na política. “Quase todos nós somos corruptos” é o pensamento que paira à maioria dos cidadãos de bem que sofrem com os desmandos inaptos, inconsequentes e incompetentes do Governo Federal. Uma vergonha à nação, que sempre buscou lutar contra a malversação dos interesses sociais.

Temos que, de uma vez por todas, limpar a política (e a pátria inteira). Para isso, um basta somente não é necessário. Nossa obrigação é fazer a coisa certa, independentemente de posicionamento partidário, atividade econômica ou atuação comunitária e coletiva.

Há uma desconfiança enorme dos investidores. Nessa semana, o Brasil foi rebaixado na classificação de crédito da agência Standard & Poor’s. No mês passado, o mesmo aconteceu com a agência Moody’s, e, em julho, com a Austin Rating. Deixamos de ser um ‘porto seguro’, pelo parâmetro desses rebaixamentos. Com isso, a inflação dispara, o desemprego aumenta e a elevação dos juros se exorbita.

E a culpa é de quem? Somos todos infames por fazermos escolhas erradas. Collor sofreu impeachment em 1992. Dilma enfrenta oposição ferrenha no Congresso Nacional. Lula começa a ser investigado pela Polícia Federal. O povo perdeu a paciência e a insatisfação só aumenta.

A venalidade humana – sinônimo de corrupção – amplia sua atuação na rede subversiva da malandragem brasileira e expõe uma questão reflexiva: teremos oportunidade de recolher as frutas podres e lançar novas sementes, plantando novos perfis éticos e moralmente eficazes, dicotomicamente falando, num cenário caótico de caos e desespero?